02/09/2017

Charlie Hebdo




Charlie Hebdo cria nova capa polémica:

“Deus existe. E afogou todos os neo-nazis do Texas”. Este é o título de uma das mais recentes edições da publicação satírica Charlie Hebdo. Olhei inicialmente a foto. É apelativa! Original, como quase sempre. Li o texto e fiquei estarrecido com o título e o seu conteúdo. Parece que já esquecemos que em Janeiro de 2015, a istalações desta publicação, sofreu um atentado que resultou num autêntico massacre de 12 pessoas. Atentado, aliás que teve um âmbito movimento internacional de solidariedade para com a chamada democracia e liberdades individuais. Fazer jornalismo satírico, após este atentado não melhorou em nada, pelo contrário só tem aumentado e fomentado o ódio de quem é satirizado. Nomeadamente povos e países que estão ainda a fazer o seu caminho. É preciso paciência! Mas não é com violência que se chega lá. Os últimos conflitos têm demonstrado essa tendência. Com este título, as instalações da Charlie Hebdo estão a candidatar-se a levar com mais um atentado bombista, que quase que diria de “justo”. Quem meche na lenha mais tarde ou mais cedo vai queimar-se, se entretanto esta publicação não alterar a forma de  liberdade de expressão, e impor limites ao que é razoável. Já deu para ver que as autoridades fecham os olhos, quando é a elas que cabe a responsabilidade primária da segurança de pessoas e bens. Não é razoável o título em questão. É cínico, hipócrita, revelador que esta publicação é uma agência de malfeitores que não estão interessados em fomentar a paz, mas a guerra. O título faz alusão que “Deus existe. E afogou todos os neo-nazis do Texas”. Na realidade não deve ter afogado nenhum deles, porque os acontecimentos relativos à violência sobejamente conhecida dos neo-nazis verificou-se na cidade Charlottesville, no Estado da Virgínia. Na vida não vale tudo, e é isso que esta revista ainda não se deve ter apercebido, assim como os milhares de guardiões que lêem magistralmente todas as edições, contribuindo também eles para espalhar o seu ódio e sangue. E depois vem queixar-se de quê? Deles próprios, e todos nós que somos incomodados por violadores dos brandos costumes. Gasta-se milhões de Euros em campanhas, organizações, conferências para aproximar os povos pelo diálogo, e depois vem estes energúmenos sabotar esse trabalho. Assim não!

JE
2 Setembro 2017



27/07/2017

outros horizontes




Quantas vezes precisamos de descobrir outros horizontes e que para lá chegar temos que ultrapassar obstáculos, mesmo que pareçam inultrapassáveis...

João Eduardo

outra oportunidade...



Quantas vidas esta janela guarda de outros tempos. Agora pacientemente espera que alguém venha, e lhe dê nova alma.
Nem tudo no tempo morre, apenas espera uma outra oportunidade...


João Eduardo





a vida revela-se...


No meio da adversidade a vida revela-se...

26/07/2017

A saúde integral



No passado dia 24 de Julho, o auditório da Associação Espírita de Leiria, foi pequeno para tantas pessoas que ali acorreram para ouvir o conhecido espírita Divaldo Pereira Franco. O seu estado físico, apesar da idade avançada, mas jovial espírito abnegador da divulgação da paz, permitiu que fossem transmitidos elevados exemplos de persistência perante as adversidades da vida. Palestra que encheu de encanto todo o auditório com as suas sábias palavras. O seu exemplo de vida em torno das causas humanitárias inspira-nos como um exemplo sublime a seguir. A sua dissertação em torno do perdão, abrangeu várias áreas da vida em torno das emoções, da auto cura e sobretudo da falta de prática da lei do Amor. Quando falamos da saúde, somos sacudidos quase todos pelas doenças, fazem parte do universo das nossas vivências. Naturalmente as doenças resultam de práticas menos correctas nesta vida ou em consequência de vidas passadas. Quem estuda Espiritismo facilmente compreende essa realidade. Todos os nossos actos têm consequências para o bem ou para o mal, resultantes das nossas escolhas que ficam no registo do perispírito e que por sua vez se projectam no corpo físico. As doenças são isso mesmo, a depuração até alcançar a saúde integral. Para lá chegar move-nos as nossas actividades de amor ao próximo. Divaldo Franco demonstrou-nos através de exemplos práticos e pessoais, que não nos podemos deixar de desfalecer, de ficar aprisionados pelo corpo, quando o importante é o espirito de comanda o corpo e imprime a vontade. Por isso a auto disciplina é muito importante para superar as dificuldades. Através da psicografia de Chico Xavier, recebemos informações de André Luiz e Emmanuel de que a saúde integral, que tanto aspiramos é formada por factores psicológicos, biológicos, sociais e espirituais. Estudos científicos apontam para que as emoções tanto podem fortalecer a saúde do organismo humano, e se forem equilibrados físico-espiritual, caso contrário, sendo desequilibradas e descontroladas levam a um inúmero rol de doenças. Divaldo Franco chamou a atenção para a gestão individual das emoções, para que elas não venham a causar distúrbios na actual vida e com extensão às próximas vindas através da encarnação. Por isso cada vez mais, e nós os espíritos imortais temos essa capacidade, porque sentimos o peso da responsabilidade do conhecimento desse processo. Estarmos conscientes dessa realidade é caminho fértil para alterar aquilo que somos e tudo aquilo que nos rodeia, e que vai receber as bênçãos dessa inter-relação. A interiorização, e a iluminação espiritual são passos de gigante para tornarmo-nos seres mais próximos dos desígnios da divindade a que tanto aspiramos. A introspecção diária surge como um aditivo para rever o nosso dia, para poder projectar o dia seguinte sempre melhor. Rever o nosso programa de vida e as suas relações com o próximo, são vectores que qualquer ser humano deve colocar em prática, quer seja cristão ou de outro credo religioso ou espiritualista. É por esta via que a saúde integral é um aliado relacionado com o mérito de cada um e com o seu trabalho individual. A lei do Amor, a nossa sintonia com os pensamentos do bem, podem ser ilusões utópicas para alguns, mas que a ciência com milhentos estudos já demonstrou que é assunto sério e que vai provocar alterações sociais no presente e no futuro. Fica a gratidão de seguirmos o nosso caminho com a certeza destes conhecimentos, para podermos continuar a cumprir as tarefas que trazemos de outra dimensão para aqui na Terra, colocarmos em prática. Afinal prevenir é remediar dissabores, e assim encontraremos facilmente os caminhos que mais nos confortam, mesmo que caminhemos lado a lado com as adversidades daqueles que de cá, ou de lá nos querem interromper a caminhada. A melhor arma é sem dúvida o exemplo. Sobretudo os bons exemplos. Finalizando esta missiva, não posso deixar de referenciar a excelente abertura musical proporcionada pela voz do Contratenor João Peças, e que a todos emocionou. Muita paz.   
      
Bibliografia:
- Editorial revista Verdade e Luz/Julho2017
- Divaldo Pereira Franco
- Francisco Cândido Xavier

João Eduardo 




25/07/2017

Apresentação de Livro "Antologia" de a.m.catarino









A algum tempo fui convidado pelo meu amigo António Catarino para uma tarefa monumental de apresentação do seu mais recente romance. Digo monumental, porque ler 559 páginas, é um empreendimento literário gigante, sobretudo pelas características da obra, cujo conteúdo nos prende do princípio ao fim. Confesso que já tinha o livro desde Fevereiro, inicialmente para fazer um pequeno apontamento de apresentação para uma rubrica radiofónica numa rádio local, que entretanto teve que ser adiada para melhor oportunidade. Nem sempre a minha disponibilidade permite pegar em determinados projectos e dar-lhes mais sentido. Como a leitura é apenas uma ocupação reduzida do meu tempo, tenho procurado rentabilizar esse mesmo tempo, que é no fundo o que o romance Antologia nos fala também. Foi assim que recentemente, foi formalizado o convite para apresentar o livro Antologia na Tenda Feira do Livro em São Martinho do Porto, que se realizou no passado sábado 22 de Julho. Normalmente onde existem livros existe público que se interessa por cultura e sobretudo na procura de obter livros com preço reduzido. O tempo é de férias e apesar de o tempo convidar a uma roupa mais aconchegada, permitiu que durante a apresentação, algumas pessoas interrompessem a sua mirada literária para assistir à apresentação do livro, que foi abrilhantada com um excelente momento musical interpretado por António Alves. Sobre o livro, falarei noutro apontamento. Apenas quero expressar aqui publicamente a excelente recepção da Casa da Cultura de São Martinho do Porto, mas sobretudo o meu maior agradecimento ao António Catarino por ter depositado confiança nesta apresentação, que agarrei com a humildade que tento colocar em prática todos os dias. Nem sempre é fácil assistir a dilemas humanos no dia-a-dia, quando temos que enfrentar desígnios que não vem a propósito aqui evidenciar. A vida já me permitiu agarrar a tranquilidade necessária para ultrapassar desafios. Por último, um grande apreço e agradecimento pelo apoio dado por amigos que fizeram questão de estar presentes neste evento público.

João Eduardo 



11/06/2017

...guerras muito difíceis...

















A conhecida actriz Rita Pereira é capa da revista Cristina do mês de Junho. É mais uma capa atraente, como a Cristina nos habituou todos os meses desde o seu número 1. E já vai no terceiro ano de publicação. Já o disse noutra ocasião, que a revista Cristina pauta-se por um conteúdo de grande qualidade. No entanto nesta nova temporada tem-se revelado um pouco aquém do que foi em edições anteriores. Vamos ao que me trouxe hoje a escrever umas linhas soltas sobre a entrevista à Rita Pereira. Na verdade não é nenhuma entrevista, é a transcrição de uma conversa de circunstância entre duas figuras públicas. Do que revelam, nada de importante, demasiado óbvio, conhecido e divulgado pelas revistas especialistas na matéria em vasculhar a vida das figuras publicas. O que mais me surpreendeu, e eu na minha ingenuidade filosófica ainda devo ser muito inocente, eis que na página 69 (sim, sessenta e nove) a Rita Pereira aparece com uma cigarrilha numa das mãos. Nada demais, dirão alguns. Para mim, para além de grave é ridículo. Rita Pereira, aliás tem-nos habituado a algumas polémicas nem sempre consensuais. Quando se é figura pública com certeza que a vida delas terá que ser mais comedida e não dar hipóteses a influências descabidas de falsas interpretações. Numa altura que se gasta rios de dinheiro em campanhas publicitárias de saúde para os malefícios do tabaco, numa altura que todos sabemos (ou deveríamos saber) quanto se gasta por ano milhares de euros em tratamentos provocados pelo consumo do tabaco, Rita Pereira ignora esse facto e aí está-se a “lixar” para que os outros pensam dela, sobretudo com os milhares de seguidores, naturalmente de gente com alguma juventude intelectual, que vê neste gesto um símbolo de poder. Todos eles, os seguidores vêem esto gesto aliado a um corpo bonito, cuidado, como o conteúdo da conversa até revela. Parece inacreditável que a direcção da Revista Cristina tenha deixado passar esta foto, que é um mau e péssimo exemplo para a nossa juventude e população em geral. É claro que não devem saber que que as folhas do tabaco contém mais de 4500 complexos químicos, alguns dos quais se transformam em outras combinações de toxicidade variável. Dos vários complexos são compostos por arsénio, amónio, sulfito de hidrogénio e cianeto hidrogenado, monóxido de carbono idêntico ao que sai do escape de gases dos automóveis, só para falar em alguns dos componentes químicos. Também não devem saber, que fumar provoca diversas doenças tais como tosse, rouquidão, bronquite, traqueíte, enfisema, tuberculose, cancro de boca, de laringe, dos pulmões, do pâncreas, da bexiga, do esófago, estômago e rins. Para além destes através do sistema circulatório provoca ainda a arteriosclorose, varizes, flebites, isquénia, doenças coronárias e cardiovasculares, entre outras. Para além de tudo isto, prejudicam sobretudo aqueles que tentam levar uma vida saudável e tem que apanhar com o fumo desta gente que só pensa no seu umbigo. Se querem saber mais é só ir ao Google, porque é o que não falta é informação sobre a matéria em apreço. Nem sequer podem afirmar que desconhecem o assunto. 
Por estas e todas as razões do mundo esta foto é sem dúvida um incentivo directo ou indirecto ao consumo de forma gratuita. Existem guerras muito difíceis de combater sobretudo as que tem origem na mentalidade. E por aqui me fico.

 Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-06-11 





06/06/2017

Ser mulher...






















As mulheres que trabalham no campo passam pelas estações do ano, quer faça sol ou chuva. Ao pôr do Sol transitam para as suas casas onde continuam a labuta das lides domésticas. Após as poucas horas de sono sobressaltadas, as atiram de novo ao inferno do trabalho no campo. Os seus rostos escondem lágrimas enxugadas nos poucos momentos na sombra do descanso, ou quando muito aos lenços e chapéus que lhes cobrem a cabeça. O infortúnio desta vida não tem espaço para sonhar...

Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-06-06





05/06/2017

miragem



As mulheres dos pescadores, quase sempre são retratadas na imensidão do negro, com expressões gastas pelo embate da maresia a cheirar a sal do mar. Perdem-se a olhar no infinito do horizonte. A alegria é apenas uma miragem ancorada na esperança do regresso...


Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-06-05

29/05/2017

atrocidade





A atrocidade dos homens também faz mudar o mundo, é por ela que chegamos aos dias de hoje, e é por ela que os nossos descendentes chegarão ao futuro. 
Inquestionável.

Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-05-29





27/05/2017

singular aberração

Este mundo em que vivemos é fértil em acontecimentos interessantes, indo da singular beleza à singular aberração. No que concerne ao campo religioso, existem centenas de religiões espalhadas um pouco por todo o lado, traduzindo a cultura dos povos. A grande maioria delas é o produto da ignorância de uma cultura secular que semeia e propagandeia falsidades sem utilizarem o crive da razão. 

Mais grave ainda quando a maioria dessas comunidades tem acesso à internet e a outras fontes de esclarecimento. E deve ser por isso, falta de acesso a essa informação que no  Zimbabwe, o pastor Paul Sanyangore que ao invés do que é tradicional nos cultos religiosos, ou seja a oração, pega no seu telemóvel e liga para Deus. “Olá, é do céu? Tenho uma mulher aqui, o que é que tem a dizer sobre ela?”, questiona o pastor. De lá Deus diz: deves rezar pelas suas crianças, as duas. Ele diz que uma tem epilepsia, a outra tem asma”, falou. “Deus está online. Deus me pediu para te dizer que a sua história mudou”. Segundo este pastor, a crer o que vem escrito na comunicação social, gaba-se que tem uma linha directa com Deus, que obteve esse número quando estava a orar e foi inspirado e assim obteve o número. De repente lembrei-me de Mateus 5:3-12 da seguinte citação: “Bem-aventurados os humildes, porque deles é o reino dos céus”.

Sinceramente no alto da minha ignorância só posso pensar que existem coisas que estão para além da minha compreensão… 

Ainda assim veja o vídeo:

17/05/2017

Miséria Humana



























Vou ser critico o quanto baste:
Partilho esta foto, porque ela faz parte de algumas que circulam na Internet. Não é montagem fotográfica para produzir uma intenção. Ela é apenas um testemunho de civilização em que vivemos. Em plena era do conhecimento, deveríamos mostrar mais capacidade de raciocínio. Mas não, continuamos os mesmos aporcalhados da Idade Média, até aos confins da civilização onde os hábitos de higiene estavam nos primórdios. Somos aqueles que criticamos, como muito bem diz Mike Fernandes, os desfiles académicos em que os estudantes deixam latas de cerveja espalhados no chão e que são criticados pelas mesmas pessoas que depois vão ao Santuário de Fátima e afins fazer exactamente o mesmo. A diferença é que os estudantes deixam temporariamente numa rua, os peregrinos deixam o lixo num local sagrado. Diz Rui Duarte, que este procedimento pode ser designado: O PRÉMIO PARA O MAIS PORCO VAI PARA: OS FIÉIS DE FÁTIMA...
Ainda citando as palavras do Rui: Isto não deixa de ser irónico... o subproduto de um ato religioso demonstra bem o produto final das religiões em geral... por isso há muito decidi: nem ovelha nem pastor... sou mais eu... livre...!!!. 
São procedimentos destes que levam à debanda geral de uns, para depois se enfiarem em outras organizações de semelhantes desígnios. 
De qualquer forma nem todos os estudantes deitam latas de cerveja no chão, nem todos os peregrinos que foram a Fátima, deixaram lixo no chão. São meia dúzia de ovelhas ranhosas que colocam em causa todos os outros. 
Não é aceitável que se deite latas de cerveja no chão, nem é aceitável que se deixe lixo abandonado em lugar sagrado. Não é aceitável que SE DEIXE LIXO EM LADO NENHUM. Nem são aceitáveis os argumentos possíveis para justificar o injustificável. 
Somos "porcos" por natureza, não temos respeito pelo ambiente e ainda arranjamos uns escravos camarários que fazem aquilo que os outros não querem, que ganham uma miséria de ordenado para nos recolher a merda que deixamos no território dos outros, às vezes à porta da nossa casa...

 João Eduardo 





11/05/2017

Homem velho





















Encontrei um velho amigo de armas ao fim da tarde. Trabalhamos juntos na mesma repartição por cerca de dois anos. Por contingências da vida, teve que se deslocar para outra região por imperativos familiares. Agora passado este tempo duradouro, regressa à região que o vira nascer, mais velho, com um filho criado, mas a esposa tinha partido prematuramente por doença oncológica. Os diversos acontecimentos da vida são estas mesmas, vitórias, derrotas, e segue-se em frente com a mira de dias melhores. Agora a viver a aposentação, dedicava-se nos tempos livres à leitura, à pesca, ao jardim e à horta lá de casa. Confessou que estava desiludido com a sociedade, sobretudo nos homens em geral que tudo fazem para denegrirem a convívio salutar do colectivo, onde existe falta de sinceridade, fraternidade e de responsabilidade. Partilhando da mesma opinião, lá fui dizendo que a sociedade está composta de homens velhos agarrados a preconceitos, velhas tradições retrogradas. Dizia esse meu amigo que estava na realidade chateado por existir pessoas que em vez de se preocuparem com o conteúdo das coisas, estão sim radicados com as formas e fórmulas jurídicas copiadas da velha sociedade a que estão agarrados. Isto a propósito de um convite que tivera para fazer parte de um grupinho que pretende dedicar-se à dinamização cultural da sua velha aldeia onde nascera. Filho da terra, conhecia bem aquelas gentes escassas em juventude, ainda assim suficientes para ir com aquele projecto para a frente. Sem dúvida que alguns estão agarradas ao passado, querem continuar a ter influencia onde sempre viveram, esquecendo-se que existe todo um colectivo. O suficiente para deitar um projecto abaixo por causa de teimosias jurídico administrativas. Para isso já temos os partidos políticos, e outras organizações liberais. Como elas são formadas por homens, teimam em contaminar com os mesmos e velhos princípios. Temos que alterar tudo isso, dando iniciativa aos cidadãos isentos dessa contaminação para construírem algo diferente e profícuo. Sabes, disse-lhe eu, é preciso paciência e diplomacia, mas também temos que dar a entender se estão de alma e coração no projecto, tem que substituir as velhas ideias. Se assim não for, então não vale a pena estar a condicionar o trabalho daqueles que tem vontade de continuar a fazer algo de diferente. E ali ficamos a conversar sobre acontecimentos deprimentes emanados da globalidade que nos traz dia a dia um futuro cada vez mais incerto. Rapidamente a noite chegou, e cada um de nós seguiu à sua vida com a promessa de nos voltarmos a encontrar. No caminho surgiu-me uma frase que lera de manhã num livro: “O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem, verificará mais tarde que aquele que não parou e colaborou com o tempo está tão adiantado que já não poderá ser alcançado”. Não é que faz sentido! Seguimos adiante…

11:05:2017 João Eduardo



05/05/2017

q u e d a s




















As quedas provocam feridas para aprendemos a tratar, que nos ajudam a crescer e a ultrapassar os obstáculos da vida...


05:05:2017 - João Eduardo

25/03/2017

Burros a pastar na planície...



Recentemente o autocarro da Federação Portuguesa de Futebol transportou 22 jogadores que se concentraram no hotel "Miragem", para a gala "Quinas de Ouro". Ao que parece faltava um jogador. Claro que era Ronaldo! Como é diferente dos outros, apareceu de carro. Não sabendo as razões, não lhe tiro o mérito das pernas e dos pés que fazem maravilhas. Ainda bem que temos um só CR7, porque se tivéssemos mais do que um, um dia destes o autocarro transportaria metade da Selecção Portuguesa, porque alguns dos seus jogadores se dariam ao luxo de aparecerem, mais que não seja para mostrarem as sua máquinas que fazem sonhar alguns de nós, espalhados pelas revistas cor de rosa. Dispenso. Tudo isto cheira-me que o narcisismo toma conta da cabeça de alguns. Pena que tenham dificuldade em se dar conta dessa situação. É pena, andamos a viver com a cabeça no ar e quanto a racionalidade é só teoria, e são coisas de alguns livros ou de gente mal resolvida consigo mesmo, dizem alguns desses. O que vale é que para além de burros a pastar na planície ainda existem algumas bestas a sonhar com vales verdejantes, esquecendo-se que existem estações do ano, pelo menos no hemisfério norte.


Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-03-25






15/03/2017

A prece e/ou oração



Este texto tem como base um artigo intitulado “Intolerância ou desconhecimento”, de Eugénio Marques, onde é desenvolvida a questão da prática em alguns núcleos espíritas, da oração “Pai Nosso” e “Ave Maria”. Foi ponto de partida para pegar em algumas das suas apreciações e juntar de alguma forma o que penso também sobre o assunto com o que tenho aprendido e visto nos últimos anos desde que me tornei estudioso do Espiritismo. Sendo o assunto pertinente para alguns espíritas, não o deveria ser, porque a Doutrina Espírita não tem pertinência nenhuma, e se a têm, é porque temo que continuar a estudar a partilhar ideias, que é coisa que muito falta ao movimento espírita tão preocupados que estão com as suas quintinhas espirituais e com as suas manobras doutrinárias. 

O patamar evolutivo da humanidade tem ao longo dos tempos evoluído para melhor, permitindo melhor raciocínio, estudo e entendimento para as questões mesmo as de âmbito espiritual que algumas décadas eram classificadas como milagrosas, extraordinárias ou demoníacas, por quem sobre elas tinha interpretações díspares e contraditórias. Para alguns núcleos do movimento espirita em Portugal, é controverso o entendimento à volta da necessidade e prática das orações, quando inclusive o “Pai Nosso” é excluído ou pouco citado nas casas espíritas, por ser característica da religião dominante, ou seja na Igreja Católica. 

Existe em muitas dessas casas espíritas, uma certa alergia aos cânticos e preces, com críticas infelizes aos dirigentes dessas casa espíritas, que decidem nas suas actividades espirituais a introdução da oração da “Ave Maria”. Só revelam com essa atitude, falta de caridade e desconhecimento do Evangelho de Jesus, e sobretudo da obra básica de Allan Kardec. Dizem esses mesmos dirigentes espíritas, que a referida oração é exclusiva e tradicional da Igreja Católica. 

Reflectindo sobre este procedimento tão melindroso para alguns que se acham sabedores exímios da Doutrina Espírita, e dos procedimentos que a mesma deveria tomar nas casas espíritas, a oração “Ave Maria” na sua essência, não deixa de ser um hino à paz, um hino ao carinho e ao agradecimento a Deus, ao recordar a maternidade daquele que foi a mãe de Jesus, modelo e guia não só para os cristãos em geral, mas também para os que se consideram cristãos e seguidores da Doutrina Espírita e também para a restante humanidade que respira nas suas atitude o amor e a abnegação ao próximo. É uma questão universal.

Com exclusivos dominantes por parte desses espiritas dirigentes, que não deveriam ter esse título, mas sim semeadores da paz e da tolerância, ser mais um entre os trabalhadores, a oração da “Ave Maria” não deixa de ser uma oração belíssima que todo o crente pode, e deve soletrar cada frase de maneira que mais o toque, é uma forma de entrar em contacto com os Benfeitores espirituais pedindo, agradecendo ou louvando a sua atitude e ajuda espiritual. Também nos ensina a Doutrina Espírita, nas suas máximas que devemos respeitar a opinião dos irmãos de outros credos religiosos, que deveria ser sempre livre no entendimento do que é a liberdade de arbitrarmos os nossos pensamentos, sentimentos e actos, conforme estabelece a questão 843 do Livro dos Espíritos, que relembro: O homem tem livre arbítrio nos seus actos? A que os espíritos responderam, - Pois se tem a liberdade de pensar, tem de agir. Sem o livre arbítrio o homem seria uma máquina. 

Continuamos a apreciação da prece, seja ela cantada, falada ou pensada. Analisemos o Livro dos Espíritos, na questão 656, - A adoração em comum é preferível à adoração individual?, resposta: - Os homens reunidos por uma comunhão de pensamentos e sentimentos têm mais força para atrair os bons Espíritos. Acontece o mesmo quando se reúnem para adorar Deus. Mas não penseis, por isso, que a adoração em particular seja menos boa; pois cada um pode adorar a Deus, pensando nele. Na questão 658, - A prece é agradável a Deus?, resposta: - A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para Ele. Aprece do coração é preferível à que podes ler, por mais bela que seja, se a leres mais com os lábios do que com o pensamento. A prece é agradável a Deus quando preferida com fé, com fervor e sinceridade. Não creias, pois, que Deus seja tocado pelo homem vão, orgulhoso e egoísta, a menos que a sua prece represente um acto de sincero arrependimento e de verdadeira humildade. Na questão 659, - Qual o carácter geral da prece?, resposta: - A prece é um acto de adoração. Fazer preces a Deus é pensar n´Ele, aproximar-se d`Ele, pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer. 

Vamos agora ao Evangelho Segundo o Espiritismo. No Capítulo XXVII (Pedi e obtereis), é todo ele um manancial de informação acerca da prece. Fala-nos das condições da prece, da eficácia da prece, acção da prece, transmissão do pensamento, preces inteligentes, da prece pelos desencarnados e espíritos sofredores, das instruções dos espíritos acerca da prece, modo de orar e a ventura da prece. No capítulo XXVIII (Colectânea de preces espíritas), destaca-se a oração dominical do “Pai Nosso”, onde se explica cada uma das suas diferentes fases. No preâmbulo deste capítulo, é sugestiva a seguinte passagem: “A principal qualidade da prece é a clareza. Ela deve ser simples e concisa, sem fraseologia inútil ou excesso de adjectivação, que não passam de meros ouropéis. Cada palavra deve ter o seu valor, exprimir somente assim pode atingir o seu objectivo, pois, de outro modo não passa de palavrório. Veja-se, entretanto, com que distracção e volubilidade elas são preferidas, da maioria das vezes. Percebemos que os lábios se agitam, mas, pela expressão fisionómica e pela própria voz, percebe-se que é um acto maquinal, puramente exterior, de que a alma não participa. Allan Kardec, lembra-nos ainda através do Evangelho Segundo o Espiritismo, que “Os Espíritos jamais prescreveram qualquer fórmula absoluta de preces. Quando dão alguma, é apenas para fixar as ideias e, sobretudo chamar a atenção sobre certos princípios da Doutrina Espírita”.

Voltamos ainda á questão da oração “Avé Maria” ser prática das actividades de algumas casas espíritas, Allan Kardec, lembra-nos que “Quem quer que lance anátema às preces que não estejam no seu formulário provará que desconhece a grandeza de Deus”.

A comunidade espiritual superior através das suas mensagens esclarecedoras, adverte-nos para a vigilância, discernimento dos nossos pensamentos íntimos, das palavras que nos saem da boca para fora, com que intenção e também como agimos no nosso lar e na comunidade. O Espiritismo, como ciência universal, não é, nem será propriedade exclusiva deste ou daquele, mas sim de todos de igual modo, que com ela queiram ser diferentes nas acções, nas atitudes, nas coerências. Por isso é necessário estudo, flexibilidade, para que não surgem doutores e professores que ao pegar na Doutrina Espírita encontram uma oportunidade oportunista           de serem os “Césares” de vidas passadas com seguidores fanáticos da ignorância, sem se questionarem sobre a liberdade de pensamento, que as questões espirituais solicitam. A casa espírita como outros locais de fé, é uma casa de Deus, onde se lembram, esclarece-se as leis divinas, orientações espirituais que dizem respeito à terceira revelação divina a quem Jesus se referia quando prometeu o Consolador, o Espírito de Verdade. 


Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-03-15
Bibliografia:
Intolerância ou desconhecimento, de Eugénio Marques - Jornal Espírita nº399/Março2017- União Espírita Cristã – Viseu/Portugal
Livro dos Espíritos, Allan Kardec, 7ªEdição(2004) – Edição Comemorativa do Bicentenário 1804/2004. Tradução de J.Herculano Pires. Edição do Centro Espírita «Perdão e Caridade» - Lisboa.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, 10ªEdição(2003). Tradução de J.Herculano Pires. Edição do Centro Espírita «Perdão e Caridade» - Lisboa.




14/03/2017

O tempo...


Estamos a passos largos do final do primeiro trimestre de dois mil e dezassete. O tempo voa no nosso vocabulário. Ainda à pouco um ano terminou, dando lugar a outro que vai passando pelos dias, meses, até dar lugar à mudança de mais uma folha do calendário. E assim, a vida vai correndo de circunstância em circunstância, de obstáculo em obstáculo. De vitórias e fraquezas quanto baste, que nos ensina a caminhar e a não desistir. Muitas interrogações na vida, para poucas respostas práticas e convincentes. Tantas desigualdades, tantos problemas na paisagem humana que nos rodeia, perante as quais ainda não fomos capazes de solucionar. Mas efectivamente tudo parte de nós, da nossa inflexibilidade em mudar hábitos, tradições e costumes e sobretudo a disciplina de atitudes. Não basta falar-se um pouco por todo o lado na necessidade de criar um homem novo, quando não conseguimos largar a carcaça de homem velho.

Inúmeras questões se levantam constantemente no xadrez da vida. Quanto tempo dedicamos por dia à serenidade, à reflexão, sobretudo reflexão espiritual? Que virtudes nos preenchem as mazelas que teimamos em não deixar por incúria? Que fazemos nós na actualidade para sermos melhores do que ontem? Que atitudes saudáveis acrescentamos aos nossos projectos de vida, para um alcance futuro enriquecedor? Com está a cultura da nossa simpatia, da nossa cordialidade perante aqueles que esperam de nós uma palavra tranquilizadora e amiga? Como estão os nossos amigos, familiares, conhecidos? Podemos fazer algo de útil para os ajudar, partilhando um pouco do nosso tempo? Perdemos, naturalmente alguns amigos? E porquê? Não os vemos algum tempo? Sempre o tempo que perdemos em redundâncias, miudezas insignificantes, inutilidades quotidianas que nos atrasam na caminhada do progresso. E como está a nossa paciência? E a nossa tolerância? E as nossas dores físicas como andam? Que contribuição damos a todos estes aspectos da nossa vida, tendo em conta a prática da caridade ao próximo? O que fazemos nós hoje para sermos cada vez mais esclarecidos amanhã?

E por tudo aqui referido que o maior recurso que dispomos a nosso favor, é o tempo. O tempo na vida física. Avancemos confiantes sem nos determos no passado e sem angústias acerca do futuro. Este, está a ser construído e/ou reconstruido agora.

- Artigo de reflexão com base num escrito de Alcione Peixoto, publicado na Revista Verdade e Luz-Portugal, nº69/Nov/Dec/2016. Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-03-14


12/03/2017

Salvador Sobral - vencedor do Festival da canção


Salvador Sobral - vencedor do Festival da canção
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Já passou algum tempo sobre a final do Festival da Canção da RTP. O vencedor final foi Salvador Sobral que foi legitimado pelos votos do Júri constituído pela RTP e pelo público que votou no intérprete que mais gostou. O votos das duas fontes não foram coincidentes, mas a soma dos votos do Júri deu a vitória a Salvador Sobral. Confesso que gostaria de ver ganhador o grupo da minha região “Viva La Diva”. Gostei desde o início da canção com vozes sublimes cheias de harmonia. A união da voz soberba da Kika com a dos tenores João e Luis Peças, tinha a fórmula ideal para mim, representar Portugal. A versão que foi apresentada na final foi ligeiramente modificada relativamente à primeira versão. Mas estávamos num concurso com oito excelentes canções. Foi de longe o melhor festival da canção que vi nos últimos anos, em todos os aspectos. Foi uma revolução e uma inovação que não se pode ignorar pelo esforço que a RTP imprimiu este ano num evento que pertence a todas as gerações desde que existe festival da canção. Salvador Sobral ganhou com uma excelente canção, excelente musica e sobretudo um poema sublime, escrito pela sua irmã Luisa Sobral. Nestas situações de concursos existe um vencedor e os vencidos. Ponto final. Podemos até questionar o processo de selecção, mas é normal que não se agrade a gregos e a troianos. Para mim parece-me que foi transparente. Todos gostariam de ver o seu eleito, mas quem ganhou foi o Salvador. Na Internet, deu para ver a ligeireza dos comentários sobre o vencedor, demonstrando uma falta de raciocínio e até ética, tendo em conta que todos temos telhados de vidro e vivemos num Planeta cheio que consequências e inconsequências para resolver, de forma a tornarmo-nos num ser integral onde possam ter todos cabimento de forma harmoniosa. Posso estar a ser utópico na minha apreciação, mas é isso que me norteia na vida, muito à custa de vitórias e derrotas que todos temos. Os comentários que vi, traduzem sem dúvida a opinião responsável dos próprios que só a eles diz respeito e por isso vão responder no espaço de tempo nesta ou em outras vidas para quem acredita na reencarnação. Acção e reacção é isso mesmo, semeia, obrigatoriamente colherá. Ser injusto para com um artista passa os limites. Salvador Sobral apesentou-se a concurso e ganhou. Rapidamente os comentadores desenterraram o passado conhecido e desconhecido, até conseguem inventar, só para caluniar. Valem o que valem, mas como já citei atrás todos temos telhados de vidro. Não estamos isentos de também dos nossos passados obscuros que não queremos desenterrados de um momento para o outro. Então porque razão vamos querer para os outros? Porque nos convém? Vou citar a opinião sábia de Henrique Feist, escrita na sua página de Facebook sobre os comentários que ele leu e que ficou tanto indignado quanto eu: “Chocado com comentários feitos à canção vencedora e ao Salvador Sobral. Esse conceito de canção “festivaleira” ou eurovisiva é para mim um argumento sem fundamento. As canções são o que são até serem pontuadas… a Eurovisão não é chapa cinco!! Nunca foi e até surpreendeu muitas vezes. Agora insultos, escárnio e ódio vão realmente afundando a cultura em Portugal e demonstrando a falta de respeito total por ela e pelos artistas, músicos e por aí fora e isso sim, é que é grave. Poe-se não gostar da canção e se ter preferido outra para a vitória mas, descarregamos as frustrações de uma não vitória com insultos e má educação para com quem ganhou, demonstra realmente uma pobreza de espírito e uma pequenez e falta de educação que só dá vontade de dizer mesmo…são pessoas que nem sequer valem a pena. Por isso nem sei porque escrevi isto. Se eu concordo com o resto da votação? Não. Gostava que tivesse ganhado o Fernando Daniel? Gostava. Porque era a canção do meu irmão? Não. Porque a canção era boa. Lembra-me Jaques Brel, Face ao resultado, para mim teria ficado em segundo!!!! Sou antigo? Não sei. Apenas gosto e não gosto ou acho assim assim. E daí? Só acho que o júri distrital devia estar na sala a ver o directo e aí sim, é que devia votar. Não devia de todo ser possível votar antes do espectáculo. E o televoto de que tanto falam...que não era a preferida do televoto....epa acordem!!! Como é que se tira uma elação dessas se se pode votar mais que uma vez? Senso comum, meus amigos...senso comum. Mas este...está perdido.....!!! Se tivesse ganho outra canção, vinham outros haters e entendidos. Porque é isto que somos...um país que adora deitar abaixo. Um país que tem gosto na humilhação. E se não nos sentirmos curados ou "limpos", massacramos mais e deitamos ainda mais abaixo até que nós próprios possamos sentir o gosto dessa vitória. O prazer de termos espezinhado e bem. No fundo muitos de nós somos Trump. Chegámos ao poder através do facebook. Deu-nos a possibilidade de sermos mais ouvidos. De sentirmos que também temos poder. E isso, sim, é que é perigoso”.
Assino por baixo nesta apreciação de Henrique Feist, porque somos assim mesmo, denegrimos tudo e todos faltando ao respeito pelo trabalho que cada um dedica à sua arte. Se tivessem ganho os “Viva La Diva”, já sei, as redes sociais iriam encher-se de frases Homofóbicas e por ai fora, ao trabalho dos tenores. Iriamos ter opiniões semelhantes ao cantor João Braga, cito “agora basta ser-se preto ou gay para ganhar Óscares”. Até se iria falar no lobby Gay. Santa paciência, quando é que acordamos para a realidade? 
Ainda sobre o Salvador Sobral, foi colocado em causa o seu consumo de drogas no passado e quem sabe até no presente, opinaram outros. Mas afinal em que sociedade vivemos? na perfeição? Parece que sim, que os críticos são isentos desses caminho tenebrosos e como tal devem ser excluídos. Logo surgiram caricaturas pouco abonatórias para quem quer com certeza esquecer essa fase do seu passado. Todos queremos. Então porque relembrar? Não será que não temos que ter oportunidade de encontrar finalmente um caminho mais recto? Falou-se da roupa que Salvador Sobral levou! Como se isso fosse o mais importante! E a voz, a belíssima interpretação não conta? Portugueses onde me incluo claro, burros, incultos. Nem merecemos o que outros colocam ao nosso dispor. Não merecemos! Merecemos, sim viver nas catacumbas no degredo intelectual. Salvador Sobral, foi operado nessa semana a duas hérnias, uma inguinal e outra no umbigo. E daí a roupa que foi feita pela sua mãe, estar larga, para que o Salvador estivesse confortável a defender aquilo que mais gosta de fazer: Cantar! 
Por isto e por todas as razões do mundo não batam mais no “ceguinho”. Agora o que interessa é canalizar as nossas energias para quem ganhou, que bem precisa pelas más vibrações que tem estado a receber. Com tanta dificuldade a rondar-lhe na vida, só pode merecer a nossa admiração, pela dedicação na interpretação da canção que vai representar Portugal. A melodia é excepcional, a interpretação fenomenal, o poema é dos Deuses. A vida é feita de derrotas e vitórias. Se continuarmos a conspirar contra o Universo, então vamos receber de volta aquilo que enviamos. 
Por isso amigos, esta é apenas a minha simples e profunda opinião. Para mim é agora a minha canção preferida e vamos vibrar para que traga um bom resultado para Portugal.
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Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-03-12

10/02/2017

Livre Arbítrio























Livre Arbítrio (resposta a um desafio de opinião)
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Meditemos:
- Sabemos o que é o Livre Arbítrio! 
- Liberdade para desrespeitar e ser agente da má educação? Não! 
A cada humano, neste plano terreno, temos a sagrada liberdade de optar por conduzir a nossa vida, correspondendo às convicções de cada um, seguindo os ensinamentos transmitidos pela educação parental e pela formação escolar. 
É seguir o percurso, crescer, aprender, trabalhar e materializar na prática a oportunidade de ser útil a si mesmo e ao próximo, e tirar o máximo proveito através das suas capacidades anímicas. Daí resulta evolução e bem-estar. Resulta capacidade na opção de acordo com a sua inteligência. 
Falhar no presente é uma correcção para o futuro, é uma aprendizagem, é uma vitória no discernimento. 
Fatalidade é aceitar a derrota, negar a sua existência. 
É capacidade de não colocar em causa terceiros, espalhar o bem para receber o bem.
É saber ser portador de humildade.
É Semear convicções para colher virtudes. 
É respeitar, para ser respeitado. 
É usar o senso comum e a razão. 
É ser agente da ética. 
É partilhar e espalhar esperanças. 
É distribuir responsabilidades e obter sabedoria e coragem. 
É cultivar o amor, colher progresso espiritual.
É amar para ser amado.
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Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-02-10




09/02/2017

Ensaio - parte 3 -
















Verónica aproveitou a manhã e foi até ao mercado da fruta nas Caldas da Rainha. Já não o fazia a algum tempo. Gostava de regalar os olhos pelo colorido das frutas, das hortícolas. E o pão, que cheirinho, acabado de cozer na última madrugada. As vendedoras cheiravam a campo, esse campo que não conseguimos plantar no hipermercado, onde tudo está alinhado. Parecem batalhões de militares prontos para uma guerra de consumidores fanáticos e sedentos de consumo. Quando se preparava para pegar numas laranjas, aparece-lhe a tocar o ombro uma amiga recente que conhecera através de Ramon. Era a Alice. Já não a via a algum tempo. Tivera refugiada em Coimbra durante uns tempos, e acabara de chegar e ali estava para se abastecer dos produtos frescos para a casa. Soubera da morte mas não pudera estar presente por via de uma consulta pós-operatório a uma catarata na vista esquerda. Estava tudo bem, menos a dor que sentiu quando um amigo em comum, o Jonas lhe comunicou pelo Facebook da morte do amigo. Mas fazia questão de ainda naquele dia ir depositar uma coroa de flores na campa.  Alice era dirigente de uma Associação Espiritualista no Cadaval, que o Ramon frequentava. Até dera algumas palestras, mas depois afastou-se, porque um dos dirigentes da Direcção da Associação lhe disse que as palestras não se enquadravam no tipo de filosofia que ali era defendida. Para além disso ele dava formação de Reiki e Yoga em Óbidos. Era questionável, mas o que tinha a ver com essas múltiplas disciplinas que só engrandecem o espírito e fortalecem o corpo humano. O que uns não querem outros, desabafou a Alice, porque achara que esse afastamento era injusto e até o declarou aos restantes membros da Direcção de que também fazia parte. Ramon era um exemplo de um ser humano de excelência onde a bondade era o expoente do seu relacionamento com os outros. Ele era o porto onde muitos ancoraram, não pedia nada em troca, apenas respeito e simplicidade. Lembrava-se que uma vez num retiro espiritual na sua casa junto á Lagoa de Óbidos, sentiu a presença do seu filho, Edgar  que falecera cinco anos antes num acidente de bicicleta. Era comum sonhar com o Edgar. Mas naquele dia foi maravilhoso, sentiu o abraço envolvente, que só mãe sabe caracterizar. Foi uma experiência maravilhosa, que guarda até aos confins da eternidade. Ramon uma vez disse-me que o Edgar estava agora noutro plano preparando-se para descer à Terra numa aldeia muito pobre na Índia… 

9Fev17 (continua)   Parte 3 /Parte…

João Eduardo






07/02/2017

Fátima, milagres da Fé…














Fátima, milagres da Fé…

Fátima tornou-se um Santuário. Um local que vende latas com ar de Fátima, vende saquinhos com terra de Fátima, vende garrafinhas com água de Fátima. E que mais vende? Milhentos santos de fé, para todas as mazelas e circunstancias. Fica lá atrás no tempo que o povo esfomeado de fé se dirigia em penitência pelos caminhos que levavam até ao Santuário. Não importava como chegar, era preciso chegar, nem que fosse de rastos, porque a fé era mais importante. Pelas estradas, pelos carreiros, ficaram marcadas no tempo milhares de passadas, muitas delas repetidas durante anos e anos com o fim de chegar e regressar posteriormente ao aconchego do lar com o dever cumprido e enfrentar novamente a dureza da vida, da pobreza que durante anos e anos Portugal teve mergulhado. Com o 25 de Abril de 1974, a aurora despertou, o país foi invadido de ar fresco, o negro foi substituído pelo colorido da nova aurora. Com ele vieram novos credos, novas filosofias, novas religiões, dissidências, outros interesses que se perdem nos corredores da política e da religião. Outros ventos se levantaram. A Igreja que antes era poder, foi cedendo caminho muito à custa da nova dinâmica dos Papas. Era preciso renovar a mensagem da Igreja, adequa-la aos novos tempos, aos novos paradigmas da ciência. Era demasiado evidente que a mensagem lançada nos altares não respondiam a inúmeras questões da fé. Era preciso responder ao que estamos aqui a fazer, de onde viemos. No fim de morrermos acontece algo mais? No passado era fácil resolver essa questão, os chamados doutores da Igreja e, os seus carrascos encarregavam-se de acender fogueiras e queimar vivas os proletários da fé. Agora diz-se que são cada vez mais os estratos sociais elevados, gente bem formada com elevados graus académicos, do mundo da finança, do Futebol que corre para Fátima, dando graças às fortunas que obtém extorquindo riqueza à custa de mão-de-obra barata num país que não sai do vale desencantado. Andamos assim à séculos, mas a culpa é sempre do povo ignorante que só quer saber de futebol, e se junta em tabernas afogando as mágoas no álcool e asfixiando-se lentamente no fumo tóxico do tabaco. São evidentes as marcas de automóveis de elevada cilindrada que ali se deslocam. É fácil. Os tiranos do poder, que tudo querem e podem até projectaram que a auto-estrada ali passasse, não fosse Fátima ficar no centro de Portugal. Os rodos de dinheiro e outros valores que ali rolam, dão jeito para alimentar os pobrezinhos de Portugal. É assim à Séculos. São sempre os mesmos, e porquê os mesmos? Só porque perdemos a capacidade de raciocinar. Fátima é um ponto fundamental do circuito internacional da religiosidade Mariana. Já passei por Lurdes e Santiago de Compostela, apesar de cada uma ser bem distinta, encontro em Fátima o sofrível da paisagem. Ninguém vai ali para ver edifícios belos, porque a desordem imobiliária é tão grande, que faltou mérito aos responsáveis no passado de fazer algo mais belo e tranquilizante. Em Fátima a única coisa bela é mesmo a Capelinha das aparições, a antiga. A moderna foi para satisfazer as necessidades estéticas. São os milhares de turistas que por ali passam que dão grandiosidade ao espaço. As esmolas vão alimentando o negócio do imobiliário. Às vezes ponho-me a pensar de que se alimentam os residentes em Fátima. As lojas de souvenirs são tantas, que me bastam para dar resposta à minha inquietação. Quando vejo na comunicação social, diversidade de artigos sobre Fátima, dá-me pena, às vezes intranquilidade plena em pensar que Jesus no cima da sua simplicidade deveria vir novamente à Terra dar novamente lições de nobreza social e puxar as orelhas ao Clero que se foi reinventando ao longo de séculos de acordo com os critérios de orientação do poder absoluto. É preciso estar na berlinda para não se perder privilégios. Descubro no Papa Francisco a vontade absoluta de derrubar todos os preceitos materiais de que a Igreja vive, tanta pomposidade, para quê? 
O turismo religioso tem muito que se diga. Hotéis com SPA, quanto baste em troca de uma boa maquia. Segundo a Revista Visão em 2015 na região de Fátima 70% das dormidas eram de estrangeiros numa oferta de 730 mil dormidas. Mas os números serão mais de um milhão, tendo em conta que casas religiosas e apartamentos particulares não entram nestas estatísticas. Traduzindo estes números, ficam por contabilizar os milhões que ali ficam, mas não é preciso ser académico para fazer uma regra três simples para se chegar a uma conclusão objectiva. Muitos milhões isentos de impostos? Não sei, talvez sim, talvez não. O Governo de Portugal autorizou o ajusto directo para obras até 5,1 milhões de Euros em Ourém, por causa da vinda do Papa. Em tom de ironia, quando vier Trump a Portugal, se alguma vez vier, quanto vamos gastar para as medidas de segurança de um tipo que até é Presidente dos Estados Unidos que todos odiamos por ser um digno representante de um grupo de empresários que se está maribando para os problemas do mundo, só lhes interessa os lucros e a escravidão. Mas é o Papa, por quem tenho um enorme respeito e afeição, porque sendo um homem de fé que nos ensina a amar pelo exemplo e dedicação ao próximo, sobretudo os que estão mais carentes. As obras em Fátima são mais que muitas, é preciso que as poucas horas que o Papa está em Fátima tenha a nobreza da ocasião. É assim em todo o lado no mundo religioso e político, só falta estender a passadeira vermelha em cima dos excrementos do resto do ano. Pasme-se que para além do produtos que enunciei no inicio desta reflexão, para além das bugigangas encontramos o perfume 13, inspirado nas aparições, cuja fragrância é uma homenagem à inocência, com aromas do campo sob a sombra de uma azinheira, com o custo de 20 euros, cuja receita em parte vai para a construção de um hospital pediátrico em Coimbra. A imagem do Papa em gesso com 65 cm pode custar 95 euros, lenços para saudar o Papa, 1,50 euros. Claro que com isto encontramos cascóis da Selecção Nacional, bonecos diversos que nada tem a ver com o símbolo de Fátima, amuletos entre outros artigos. Até budas! Comentários? É escusado, as evidências deste tipo de fé são demasiado violentas para o meu raciocínio. Que bestas nos tornamos, sem um pingo de vergonha em encontrar-mos para as nossas vidas, caminhos eticamente diferenciados, na busca do homem integral. Perdemos demasiado tempo a pedir responsabilidades a terceiros, quando é a nós que cabe o caminho e a descoberta do derradeiro.

@Este texto de reflexão tem como ponte de partida referência ao um artigo da responsabilidade de Miguel Carvalho publicado na Revista Visão nº1247 de 26 de Janeiro de 2017. Números e factos aqui relatados foram compilados da revista.

Em virtude deste texto de reflexão ser da minha inteira responsabilidade, traduz o que penso no tempo presente sobre o assunto, pelo que não responderei a comentários, quer sejam eles positivos ou negativos. Vivemos num tempo em que as atitudes ficam por conta de cada um. Ainda vivo num país livre que se chama Portugal. Ainda.

06Fev2017(Continua) -João Eduardo-


06/02/2017

- Ensaio - Parte 2

















- Ensaio - Parte 2 /Parte…

Chegara a hora mais emotiva. Ramon conseguiu reunir à sua volta os amigos de diversas gerações. Sabia que apenas iria ser depositado na terra a matéria em processo de decomposição. Pela última vez pudemos observar o seu rosto sereno, como o era em vida. Naquele momento de introspecção, sentíamos um ambiente extraordinariamente sereno. A sua presença não era a do corpo, mas a do espírito que nos envolvia a todos, enquanto assistíamos ao sepultamento do caixão. Ninguém derramou lágrimas. Ele não queria lágrimas, dizia que elas fariam falta noutras circunstâncias da vida. Enquanto assistia ao lançamento das pazadas de terra, observei que Verónica me observava pelo canto do olho. Disfarçou, mas não pude de me aproximar dela e dirigir-lhe parcas palavras de ânimo. Afinal quando nascemos temos todos uma certeza, é de que morremos um dia. Alguns de nós compusemos a campa com os diversos ramos de flores. 

Sai do cemitério, peguei no carro e fui em direcção à casa do Ramon. Tinha que tratar dos peixes do enorme aquário, e do quatro gatos persas. Agora tinha um problema em mãos. Quem cuidaria das coisas do Rámon, se não lhes conhecíamos família. Era preciso arranjar um advogado para tratar do assunto, e lembrei-me de uma colega que andou comigo no secundário em Óbidos e que agora exercia advocacia numa multinacional ligada às pescas na Peniche. Era sobejamente conhecida, porque estava casada com o Ministro da Justiça, além disso era muito assídua na televisão. Éramos muito amigos, confidentes até, Só que ela seguiu para Coimbra para se formar em Direito e eu fui para Lisboa para Psicologia. Às vezes falava-mos por telefone e agora mais recentemente pelo Twitter. Convidara-me para ir ao casamento, mas nessa altura estava na Tailândia, onde tive cerca de seis meses a fazer um trabalho de investigação. 

Foi no comboio que conheci Verónica, nas milhentas viagens a partir de Caldas da Rainha. Ela entrava em Torres Vedras, e quando descobrimos que estudava-mos na mesma faculdade, passamos a encontrar-mos muitas vezes, apesar de ela já estar no 2º Ano de Psicologia. Mas felizmente apanhava-mos a mesma carruagem que nos trazia todos os dias à tranquilidade do litoral rural. A cidade de Lisboa, não era para mim, muito agitada, muito stress. Foi assim durante cerca de cinco anos. Ao fim de um ano começamos a namorar, foi nessa altura que conhecemos Ramon em Óbidos num workshop sobre meditação. Foi aí que nasceram os nossos laços de amizades. A nossa diferença de idades, fazia dele um pai que eu nunca tivera. Muito perceptivo, ele sabia de todas as minhas necessidades, era muito intuitivo. Foi graças a ele que evitei um suicídio que andava na minha cabeça a algum tempo. Andava a ser fulminado por um elemento da família que reclamava valores patrimoniais ligadas ao meu pai, que só conhecera em criança. Mas a droga e outros crimes, pusera-o atrás da grades. Apanhara pena máxima. Matara um padre, por este não lhe permitir a confissão. Fora ali em pleno confessionário que sacou do canivete e degolou o padre ali mesmo, e antes de abandonar o local, arrancou uma cruz da parede e colocou-a em cima do peito do corpo estendido a derramar sangue. Ainda teve tempo, fora da igreja dirigir-se a uma cabine telefónica e fazer uma chamada anónima para a GNR. Quando esta chegou já ela tarde, o padre estava morto e bem morto. O canivete ficara ao lado da cabeça e era a prova mais que evidente do crime.

6Fev17 (continua)
João Eduardo @

02/02/2017

Ensaio



Ali estava eu a olhar para o meu passado. Passaram meses do fim da nossa relação. Ainda sentia no silêncio dos meus sentimentos um vazio por preencher. Vitória ainda ocupava a maioria dos meus pensamentos. A vida não se tornara fácil depois da nossa separação. Não passara de um equívoco, que ambos não queríamos assumir. Nas relações constituímos âncoras uns dos outros.  Raramente nos encontramos nos últimos tempos, mas com um universo de amigos semelhantes, sempre tiveram o cuidado de nos encontros não estarmos presentes em simultâneo. Seria uma sombra que pairaria no ambiente. Não nos sentiríamos bem, sem desviar o olhar constante de um para o outro e recordar momentos que à partida não haveria espaço para repetir, apesar de sabermos ambos que o desejaríamos, nem que fosse em sonho. O nosso olhar denunciava o desejo. Desta vez, quis o tempo que estivéssemos juntos. Um amigo em comum tinha falecido. Não era um amigo qualquer, é daqueles do coração, que não sendo de família, mas é muito mais do que isso. Vitória estava profundamente triste, de rastos até. Eu também estava, refugiava-me na penumbra da sombra para enxugar as lágrimas durante o acto do velório. Ramon, noventa e cinco anos, nascera na Venezuela, mas desde o dez que vivia na região de Óbidos. Os nossos caminhos cruzaram-se pela via das tertúlias literárias mensais no castelo. Mas foi na pintura que Ramon era deslumbrante. Os inúmeros serões na sua casa à beira da Lagoa de Óbidos era a sua musa de inspiração permanente que decoravam as paredes da sua casa e um pouco por todo o mundo. Não tinha família chegada, estava lá longe no país que deixara em criança, que nunca visitara. Fora adoptado, mas os seus pais adoptivos à muito que tinha falecido num acidente de automóvel no dia em que comemorava o seu décimo oitavo aniversário. Desde aí vivia por sua conta e risco. Vivendo da enorme fortuna que os pais lhes deixaram, sempre soube dar uso investindo na sua formação. O seu curso de belas artes fora bem-sucedido, com reconhecimentos nacionais e internacionais de mérito. Nunca constituiu família, porque ao longo da sua longa vida os seus amigos era a sua família. Nós éramos especiais, era comigo e com a Vitória que desabafa. As suas confidências, demonstravam a essência de um ser humano muito especial. A sua partida era um vazio profundo das nossas existências. Vitória sofria, tal como eu, a ausência de uma das peças fundamentais nas relações humanos. Profundamente humanista e espiritualista, sabia-mos que Ramon estaria no plano espiritual em paz. Fora uma pessoa de paz. Fomos uma família para ele, talvez os filhos que ele ambicionava ter. Quem sabe se num dos trechos das vidas passadas ou num projecto espiritual futuro. O nosso mundo de afectos era alimentado pelos inúmeros passeios diurnos e nocturnos nos caminhos e matas que bordejam a Lagoa de Óbidos. Tantas vezes pela madrugada fora contávamos milhentas estrelas que se reflectiam nas águas tranquilas da lagoa, imaginando quantos mundos, quantas realidades lá longe atingíveis apenas pela imaginação. Ali ficávamos por vezes ouvindo os murmúrios das águas, a observar o saltitar dos peixes à tona de água. Tantos sonhos ali plantados…

(continua)
   
João Eduardo




18/01/2017

Fraternidade espiritual



Fraternidade espiritual 

Nos tempos que decorrem com as vicissitudes que nos inunda o quotidiano, uma das palavras mais recorrentes para promover a união entre todos, falo da fraternidade. Uma rápida consulta ao dicionário, rapidamente concluo que a fraternidade é  amor ou afecto ao próximo, boa convivência ou harmonia entre as pessoas. Como ser pensante que julgo ser, e como adepto da via da espiritualidade, muitas vezes me interrogo se me identifico com este ensinamento construído ao longo do tempo pelo desenvolvimento temporal da espécie humana. Tanto chão que cavamos no conhecimento, que é justo interrogar tudo aquilo que está à nossa volta, se faz sentido continuarmos a viver numa sociedade construída por todos nós ao longo de várias gerações mas cujo resultado ainda é insatisfatório para a maioria de todos nós. Sou adepto dos conceitos emanados para sociedade por Allan Kardec, trazendo à sociedade uma nova forma de abordar a espiritualidade, nomeadamente o Espiritismo. Muitas vezes a ignorância deturpa a verdadeira essência dos sábios ao longo de todas as épocas, quando vemos alguns homens,  aproveitar-se desses ensinamentos, dando-lhes outros caminhos e construindo os seus falsos impérios que o tempo se vai encarregar de diluir nas areias do deserto. Até agora nenhum vingou porque eram imperfeitos. O Espiritismo constitui sem dúvida uma lufada de ar fresco na revolução do pensamento sobre a espiritualidade trazendo para o burburinho das conversas aqui e acolá, a existência de vida para além da morte física do homem. Ao longo de todos estes anos, tem-se desenvolvido um pouco por todo lado, com grande expressão no Brasil e também em Portugal sobretudo depois do 25 de Abril de 1974. Hoje em Portugal existem mais de 100 casas espíritas, a maioria delas abertas ao público onde são desenvolvidas múltiplas actividades no apoio às pessoas que nelas procuram por alguma razão a resposta a muitas questões colocadas nas suas vidas, para as quais não encontraram respostas. Nem todos encontram essas respostas, talvez por ainda não estarem em consonância com a mensagem ali transmitida, e buscam noutro lugar as tais questões por responder. Por vezes acontece que as pessoas assentam nessas casas espíritas e ali continuam a aprender tudo aquilo que não se aprende em mais nenhum lugar. Ali se produzem palestras emissoras da mensagem da solidariedade, fraternidade, caridade, na explicação de onde viemos, o que estamos aqui a fazer e para onde vamos depois do episódio da morte. Estudar Espiritismo é um lema para a vida, o conhecimento só se obtém pelo estudo profundo das obras básicas de Allan Kardec, assim como de todos os outros pensadores que escreveram sobre a doutrina e que deixaram testemunhados em papel aquilo que pensavam sobre o mesmo. O pensamento é intemporal e o raciocínio acompanha o espírito nas múltiplas reencarnações. Múltiplos aspectos humanos, como por exemplo a vaidade e o egoísmo são parâmetros destruidores de uma realidade social, e os espíritas não estão imunes a essa realidade. Estão impregnados de irracionalidade. Não admitem que se questione, e dão como adquiridos os seus valores inquestionáveis e negam o livre pensamento dos que partilham o mesmo espaço. Não permitem o livre exercício da análise dos factos para que se possa apurar a pertinência dos relatos. Certa vez ouvi um orador espírita a dizer que livros espíritas as pessoas não deviam ler, dando indirectas a outros irmãos espíritas que publicam livros. Como podem as pessoas pesquisar e ter uma opinião se dentro de uma casa espírita são aconselhados a não ler. Como podem comparar? Como podem emitir uma opinião? Depois quando visitamos outras casas espíritas, vemos os livros que foram não aconselháveis, estarem ali à mão de semear, faz repensar que tipos de critérios e condutas são vinculadas à mensagem que se transmite ao público e que tipo de colaboradores essa casa tem, que tipo de influencias podem exercer a quem os procura. Claro que quando oiço alguém a falar desta maneira em público, a consequência a seguir é não meter lá mais os pés, porque ali obrigaram-me a pensar daquela maneira. Para isso temos as religiões com os seus dogmas disparatados sem ajusto à realidade do mundo científico, que só servem para promover o culto do sagrado e adoração dos pastores como elos de ligação com Deus. Todos nós temos ligação a Deus e não precisamos de intermediários para chegar mais além, e quando descobrimos que a tarefa é sobretudo nossa então o nosso comportamento terá que mudar. Temos que ter presente que as pessoas devem ser disciplinarmente respeitadas e que o exercício do pensamento, para além de livre, deve promover a fraternidade, a solidariedade, dentro e fora de nós. É assim que conseguimos genuinamente trazer para fora aquilo que aprendemos dentro de uma casa espírita, só assim conseguimos levar o consolo ao próximo, na essência aquele que precisa pela palavra ou simplesmente pelo simples afecto. Não se pode nem se deve confraternizar com uns em detrimento de outros, quando nos faz jeito. Essa premissa é ainda a consequência do exotismo dos palanques de vidas passadas, que esta encarnação ainda não diluiu. Estamos todos em patamares diferentes, mas não podemos exigir aos outros aquilo que não conseguimos fazer connosco, nem utilizar o silêncio das palavras e das atitudes, e utilizar a espiritualidade para fazer comércio intelectual e iníquo e maltratar todos aqueles que no amanha podem cruzar o seu caminho. Aí novos ciclos indetermináveis começarão com desfechos indetermináveis ao infinito, cujo produto final é mesmo o exercício da inteligência e construir a racionalidade de um mundo melhor que desde os primórdios da nossa existência aspiramos. O futuro constrói-se já e agora, porque daqui a pouco já é passado.   
Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-01-18 
Texto inspirado com a música: