18/01/2017

Fraternidade espiritual



Fraternidade espiritual 

Nos tempos que decorrem com as vicissitudes que nos inunda o quotidiano, uma das palavras mais recorrentes para promover a união entre todos, falo da fraternidade. Uma rápida consulta ao dicionário, rapidamente concluo que a fraternidade é  amor ou afecto ao próximo, boa convivência ou harmonia entre as pessoas. Como ser pensante que julgo ser, e como adepto da via da espiritualidade, muitas vezes me interrogo se me identifico com este ensinamento construído ao longo do tempo pelo desenvolvimento temporal da espécie humana. Tanto chão que cavamos no conhecimento, que é justo interrogar tudo aquilo que está à nossa volta, se faz sentido continuarmos a viver numa sociedade construída por todos nós ao longo de várias gerações mas cujo resultado ainda é insatisfatório para a maioria de todos nós. Sou adepto dos conceitos emanados para sociedade por Allan Kardec, trazendo à sociedade uma nova forma de abordar a espiritualidade, nomeadamente o Espiritismo. Muitas vezes a ignorância deturpa a verdadeira essência dos sábios ao longo de todas as épocas, quando vemos alguns homens,  aproveitar-se desses ensinamentos, dando-lhes outros caminhos e construindo os seus falsos impérios que o tempo se vai encarregar de diluir nas areias do deserto. Até agora nenhum vingou porque eram imperfeitos. O Espiritismo constitui sem dúvida uma lufada de ar fresco na revolução do pensamento sobre a espiritualidade trazendo para o burburinho das conversas aqui e acolá, a existência de vida para além da morte física do homem. Ao longo de todos estes anos, tem-se desenvolvido um pouco por todo lado, com grande expressão no Brasil e também em Portugal sobretudo depois do 25 de Abril de 1974. Hoje em Portugal existem mais de 100 casas espíritas, a maioria delas abertas ao público onde são desenvolvidas múltiplas actividades no apoio às pessoas que nelas procuram por alguma razão a resposta a muitas questões colocadas nas suas vidas, para as quais não encontraram respostas. Nem todos encontram essas respostas, talvez por ainda não estarem em consonância com a mensagem ali transmitida, e buscam noutro lugar as tais questões por responder. Por vezes acontece que as pessoas assentam nessas casas espíritas e ali continuam a aprender tudo aquilo que não se aprende em mais nenhum lugar. Ali se produzem palestras emissoras da mensagem da solidariedade, fraternidade, caridade, na explicação de onde viemos, o que estamos aqui a fazer e para onde vamos depois do episódio da morte. Estudar Espiritismo é um lema para a vida, o conhecimento só se obtém pelo estudo profundo das obras básicas de Allan Kardec, assim como de todos os outros pensadores que escreveram sobre a doutrina e que deixaram testemunhados em papel aquilo que pensavam sobre o mesmo. O pensamento é intemporal e o raciocínio acompanha o espírito nas múltiplas reencarnações. Múltiplos aspectos humanos, como por exemplo a vaidade e o egoísmo são parâmetros destruidores de uma realidade social, e os espíritas não estão imunes a essa realidade. Estão impregnados de irracionalidade. Não admitem que se questione, e dão como adquiridos os seus valores inquestionáveis e negam o livre pensamento dos que partilham o mesmo espaço. Não permitem o livre exercício da análise dos factos para que se possa apurar a pertinência dos relatos. Certa vez ouvi um orador espírita a dizer que livros espíritas as pessoas não deviam ler, dando indirectas a outros irmãos espíritas que publicam livros. Como podem as pessoas pesquisar e ter uma opinião se dentro de uma casa espírita são aconselhados a não ler. Como podem comparar? Como podem emitir uma opinião? Depois quando visitamos outras casas espíritas, vemos os livros que foram não aconselháveis, estarem ali à mão de semear, faz repensar que tipos de critérios e condutas são vinculadas à mensagem que se transmite ao público e que tipo de colaboradores essa casa tem, que tipo de influencias podem exercer a quem os procura. Claro que quando oiço alguém a falar desta maneira em público, a consequência a seguir é não meter lá mais os pés, porque ali obrigaram-me a pensar daquela maneira. Para isso temos as religiões com os seus dogmas disparatados sem ajusto à realidade do mundo científico, que só servem para promover o culto do sagrado e adoração dos pastores como elos de ligação com Deus. Todos nós temos ligação a Deus e não precisamos de intermediários para chegar mais além, e quando descobrimos que a tarefa é sobretudo nossa então o nosso comportamento terá que mudar. Temos que ter presente que as pessoas devem ser disciplinarmente respeitadas e que o exercício do pensamento, para além de livre, deve promover a fraternidade, a solidariedade, dentro e fora de nós. É assim que conseguimos genuinamente trazer para fora aquilo que aprendemos dentro de uma casa espírita, só assim conseguimos levar o consolo ao próximo, na essência aquele que precisa pela palavra ou simplesmente pelo simples afecto. Não se pode nem se deve confraternizar com uns em detrimento de outros, quando nos faz jeito. Essa premissa é ainda a consequência do exotismo dos palanques de vidas passadas, que esta encarnação ainda não diluiu. Estamos todos em patamares diferentes, mas não podemos exigir aos outros aquilo que não conseguimos fazer connosco, nem utilizar o silêncio das palavras e das atitudes, e utilizar a espiritualidade para fazer comércio intelectual e iníquo e maltratar todos aqueles que no amanha podem cruzar o seu caminho. Aí novos ciclos indetermináveis começarão com desfechos indetermináveis ao infinito, cujo produto final é mesmo o exercício da inteligência e construir a racionalidade de um mundo melhor que desde os primórdios da nossa existência aspiramos. O futuro constrói-se já e agora, porque daqui a pouco já é passado.   
Texto de JE, Caldas da Rainha, Portugal, em 2017-01-18 
Texto inspirado com a música: 

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